A RELAÇÃO ENTRE O LEITE DE VACA E O DIABETES TIPO 1
Olá, pessoal! Relacionaremos na publicação de hoje as possíveis influências do leite de vaca sobre o diabetes tipo 1.
É
sabido que muitas doenças crônicas são causadas por dietas desequilibradas. O termo usado para indicar alimentos que
contêm componentes promotores da saúde e não somente nutrientes tradicionais é
alimento funcional. Deste ponto de vista, o leite e derivados pertencem à
família dos alimentos funcionais, repletos de peptídeos bioativos, bactérias
probióticas, antioxidantes, cálcio altamente absorvível, ácido conjugado
linoléico e outros componentes biologicamente ativos.
O QUE É DIABETES TIPO 1?
O diabetes mellitus tipo 1 ou dependente de insulina ocorre em indivíduos
geneticamente susceptíveis, como consequência direta de um processo autoimune,
que leva à destruição das células beta das ilhotas de Langerhans no pâncreas. É
um processo crônico, com um período médio provável de latência de 10 anos. O
pico de incidência da doença ocorre na faixa etária de 10 a 14 anos. Indivíduos
com risco de desenvolver essa doença podem ser identificados pela presença, no
soro, de auto-anticorpos anti-células das ilhotas, anti-insulina, anti-ácido
glutâmico dexcarboxilase, anti-tirosina fosfatase e por uma diminuição da
capacidade de produzir insulina.
FATORES ENVOLVIDOS
Diferentes fatores ambientais podem estar
envolvidos na iniciação e manutenção do processo autoimune, entre eles, as
viroses, especialmente aquelas relacionadas ao vírus Coxsackie B, ao
citomegalovirus, ao da varicela, ao da rubéola e ao do sarampo. As relações
entre o DM1 e 1) algumas toxinas, como por exemplo as nitrosaminas, 2) o
estresse emocional e 3) diferentes componentes da dieta, como o leite materno
(LM), o leite de vaca (LV), o leite de soja, as carnes defumadas, a água com alto
teor de nitrato (efeito tóxico), a idade da introdução de alimentos sólidos na
dieta infantil e o consumo de café e de açúcar pela mãe durante a gestação,
também têm sido investigadas.
PERCALÇOS DE PESQUISADOR
Uma dificuldade para interpretar, como causais, as
associações encontradas entre o DM1 e os diferentes fatores de risco é que a destruição
das células beta pancreáticas pode ter sido iniciada muitos anos antes do aparecimento
clínico da doença, incluindo o período intra-uterino; essas associações podem
refletir a presença de certos fatores precipitantes da doença e não, necessariamente,
a de promotores da destruição das células beta. Há evidências que apontam o
leite materno e o leite de vaca, respectivamente, como fator de proteção e de
risco para o DM1.
BIOQUÍMICA DO LEITE...
O aleitamento ao seio poderia ser capaz de
modificar a história natural do DM1, protegendo a criança contra doenças
viróticas, evitando ou retardando o aparecimento da doença. Além disso, o LM
compensaria a deficiência na produção de imunoglobulinas e protegeria a criança
contra infecções do trato gastrointestinal.
A semelhança observada entre uma dada seqüência
de amino-ácidos da albumina bovina (AB) e a proteína p69, encontrada na
superfície das células beta pancreáticas, cuja presença é mediada pelo
gama-interferon, sugere que o LV poderia ser um desencadeador do DM 1 . O
sistema imune identificaria na albumina uma seqüência de 17 amino-ácidos
diferente daquela observada na mesma proteína em humanos, produzindo anticorpos
contra ela. Esses anticorpos seriam capazes de reagir com a proteína p69, cuja
expressão na superfície celular ocorreria a partir de sucessivos eventos infecciosos
e não relacionados, que levariam à produção de gama-interferon. O longo período
de latência da doença seria explicado, pela natureza temporária de tais
episódios.
A redução da resposta imune contra a
albumina, observada algum tempo após o diagnóstico do DM1, fortalece, a existência
de relação causal entre o diabetes e o consumo do LV.
A albumina é a proteína plasmática mais abundante;
é encontrada no sangue de todos os mamíferos e uma pequena parte, aproximadamente
1% do total de proteínas, está presente no leite. Fórmulas baseadas em LV são
frequentemente consumidas por ocasião do desmame ao seio. Concentrações
de AB iguais ou superiores àquelas encontradas no LV foram
observadas em produtos lácteos infantis; se a AB é um desencadeador do DM1, sua
presença em alguns produtos é particularmente perigosa, dado que, em geral, são
consumidas em uma fase da vida em que o sistema digestivo ainda está imaturo.
OPINIÃO PROFISSIONAL
CONCLUSÃO
Tendo em vista as evidências existentes até
o momento, não se pode afirmar que o desmame precoce e a consequente introdução
do LV na alimentação infantil sejam causa de DM1; a importância desses fatores
e da reatividade da albumina para o desenvolvimento do DM1 permanece
controversa. Acredita-se ser indicada, como forma de prevenir o aparecimento do
DM1, a amamentação exclusiva ao seio por pelo menos seis meses, evitando-se a
introdução precoce, na alimentação infantil, do leite de vaca e de seus
derivados.
REFERÊNCIAS
GIMENO, S.G., SOUSA,J.M.P.
Amamentação ao seio, com leite de vaca e diabetes mellitus tipo 1. Revista
Brasileira de epidemiologia. Vol. 1
ZEMEL, MB. Calcium modulation of hypertension and obesity: mechanism and
implications. J. Am. Coll. Nutr., 2001: 428S-435S.
· www.dairyaustralia.com.au .
Diabetes. Dairy Australia, 2005.
Por hoje é só pessoal!!
Até a próxima postagem!!
GRUPO J
ResponderExcluirÓtima postagem!! Existem muitos estudos conflitantes quanto à relação entre diabetes mellitus 1 e o desmame precoce. Porém Saukkonen et al. encontraram que a suplementação alimentar tinha iniciado mais cedo em diabéticos em relação aos não diabéticos (3 e 4 meses de idade, respectivamente). É importante destacar que o leite materno tem composição nutricionalmente equilibrada, temperatura adequada, é estéril, tem composição variável de acordo com a maturação das mamas e da capacidade gástrica da criança, possibilita uma relação mãe/filho harmoniosa e praticamente não propiciar reações alérgicas, e que, portanto, além de alimentar, protege o bebê de inúmeras doenças que ele possa adquirir durante sua vida.
Fonte: MACEDO, Clayton L.D. et al . Aleitamento materno e diabetes Mellitus do tipo 1. Arq Bras Endocrinol Metab, São Paulo , v. 43, n. 5, p. 360-365, Oct. 1999 .
Parabéns pelo post.
ResponderExcluirJá é comprovado os inúmeros benefícios do leite materno(LM) para a saúde dos bebês. Mas ainda não tinha lido nenhuma matéria relacionando LM com a diabetes mellitus tipo 1. Bom, por mais que seja uma evidência ainda não comprovada pelos cientistas, isso reforça a importância de a mãe efetuar a alimentação do recém nascido com LM desde o nascimento. Além disso, a OMS recomenda o aleitamento materno exclusivo durante os seis primeiros meses de vida e não vê benefícios em iniciar alimentos complementares durante esses período, podendo, inclusive, haver prejuízos à saúde da criança, tais como maior número de episódios de diarreia e doença respiratória. Em relação a bioquímica, o colostro produzido nos primeiros dias após o parto difere em muito em relação ao leite de vaca, pois o primeiro possui maior teor de proteínas, principalmente, imunoglobulinas(anticorpos).
GRUPO K
ResponderExcluirPostagem Legal, ela nos leva a analisar como um coisa tão comum (tomar leite de vaca) tem também seu problemas, por possuir proteínas "meio" parecidas com as nossas, que apresenta um conjunto de 17 aminoácidos em sequencias diferentes das nossas e leva a um processo autoimune, gerando uma patologia. E também achei interessantes o que o senhor do vídeo diz que uma fonte excelente de cálcio é a vegetação.
GRUPO M:
ResponderExcluirMuito interessante a postagem como um todo e de bastante relevância, principalmente pela abordagem de como o leite da vaca pode levar à manifestação do Diabetes Melittus tipo 1, mesmo sendo ainda alvo de estudo, ficou-se claro que a semelhança da albumina bovina com a proteína p69 pode ser o fator chave para essa característica negativa do leite da vaca, uma vez que o sistema imune reconhece a sequência de aminoácidos diferentes da albumina observada em humanos e produz anticorpos contra ela, que também afetarão a proteína p69 do pâncreas. Vale lembrar que a albumina é importante por estar relacionada ao bom funcionamento do corpo, tendo como função atuar como transporte de substâncias, se ligando a compostos hidrofóbicos e colaborando para que eles sejam transportados pela corrente sanguínea, e também para dentro e para fora dos tecidos. Além de assegurar que o equilíbrio de água entre os tecidos e o sangue seja adequado, estando relacionada ainda com os processos de coagulação sanguínea.
Como sempre, postagem super relevante! Com o aumento dos índices de acometimento de diabetes tipo 1 em crianças, tem se intensificado a quantidade de estudos que buscam respostas para tal situação. Uma das hipóteses é que o desmame precoce esteja intrinsecamente relacionado a este aumento. O papel protetor do leite materno pode ser atribuído aos antimicrobianos presentes em sua composição: lisozima, lactoferrina e IgA secretória.
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ResponderExcluirGrupo G
ResponderExcluirOpa, não sabia de tudo isso! Legal saber que o LV é tão ruim assim.
Eu tenho historico familiar de diabetes, e fui um grande consumidor de (muito) leite de vaca desde pequeno.
Embora o surgimento do diabetes tipo 1 esteja relacionado a fatores genéticos, uma pesquisa feita com animais na Austrália está muito associada ao leite de vaca.
Testes em centenas de bebês australianos estão fazendo parte da pesquisa para testar a teoria. Eles serão alimentados com suplementos nutricionais e monitorados ao longo da infância, para determinar se ao retardar a introdução do leite de vaca na dieta é possível reduzir o risco de desenvolver o diabetes.
Sabemos da importância do aleitamento de forma prolongada, embora não seja nada gostoso como o leite de vaca, ele concede 1,2 g de proteína/100 ml de leite para o bebê.
Ótima postagem, bem embasada e principalmente bem articulada. Várias das informações deste post realmente são novas pra mim, e que agora faram com que eu mais cuidado e saiba orientar uma gravida quanto ao desmame precoce e a substituição do leite materno por análogos, já que por mais parecido que uma substancia ao leite nunca será idêntica logo a amamentação ao seio é importante para o vínculo da mãe com o bebê. Inclusive a amamentação ao sio faz parte da Politica Nacional de Parto Humanizado por diversos motivos, sendo os apontados no texto alguns dos mais relevantes.
ResponderExcluirReferencia
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderno_humanizasus_v4_humanizacao_parto.pdf