Dar de
mamar é um ato de amor e carinho:
A amamentação faz o bebê sentir-se querido,
seguro. Dar de mamar ajuda na prevenção de defeitos na oclusão (fechamento) dos
dentes, diminui a incidência de cáries e problemas na fala. Além disso, bebês
que mamam no peito apresentam melhor crescimento e desenvolvimento. Trabalhos
científicos identificam que essas crianças tem melhor desenvolvimento cognitivo.
O leite materno é o alimento ideal, não sendo necessário oferecer água, chá e nenhum
outro alimento até os seis meses de idade.
Pesquisas apontam que o ato de amamentar aumenta
os laços afetivos. Os olhos nos olhos e o contato contínuo entre mãe e filho
fortalecem os laços afetivos, e o envolvimento do pai e familiares favorece o
prolongamento da amamentação. Amamentar logo que o bebê nasce diminui o
sangramento da mãe após o parto e faz o útero voltar mais rápido ao tamanho
normal, e a diminuição do sangramento previne a anemia materna.
A análise de dados coletados em pesquisas
indicaram que, já em seu início, a relação extrauterina tem uma qualidade única
e que cada criança possui um jeito muito próprio de desenvolver uma comunicação
com sua mãe. Sensações agradáveis, como bem-estar e tranquilidade, traduzidos
pelo ‘’ torpor’’ e sonolência da mãe e do bebê evidenciam vantagens do
aleitamento. A influência direta positiva de terceiros, sentimentos de fascinação
e de encantamento nas situações de cumplicidade da mãe e do bebê tornam esse
ambiente ainda mais saudável.
Sabe-se que o desenvolvimento corporal aliado
a fatores ambientais constitui a realidade psíquica do ser humano. Ao contrário
das outras espécies, o ser humano é completamente dependente ao nascer, não
dispondo de aparatos suficientes que lhe permitam sobreviver. A mãe, na categoria
de objeto externo, é, portanto, fator fundamental para sua sobrevivência e para
a constituição dessa realidade psíquica.
E como o bebê se sente?
Klein (1969) preconiza que, logo ao nascer, o
bebê entra em contato com suas primeiras necessidades físicas e orgânicas e
esse contato suscita no bebê um medo de desintegração (ansiedade de morte).
Diante desta necessidade orgânica, instala-se no bebê uma luta psíquica entre
os instintos de vida e de morte, onde ele se organiza tanto para satisfazê-las
como para negá-las. Neste sentido, se esclarece que o bebê possui forças
pulsionais (de amor e de ódio) que, ao ameaçarem sua integridade, geram a
ansiedade de aniquilamento e suscitam a projeção e introjeção de fantasias e o
fenômeno da identificação projetiva. A amamentação e o contato com a mãe
desfazem essa ansiedade sentida pelo bebê.
A alimentação ao seio possibilita que se
estabeleça um vínculo mãe-filho forte, especial, quase imediato, e as consequências
da não construção desta relação à curto prazo deve ser motivo de preocupação e
cuidado pela equipe perinatal. Como afirma Melanie Klein:
"...É o
seio da mãe e tudo o que o seio e o leite representam na mente da criança: isto
é, amor, bondade e segurança".
Diante deste fato transcendente no começo da
vida humana os pediatras, obstetras, enfermeiras, parteiras, mães e pais devem
ter suas ações voltadas para a permissão deste "encontro" ao
nascimento e nos primeiros dias pós-parto.
A amamentação é muito mais do que um método
perfeito de nutrir os lactentes, porque além disso está o contato pele-a-pele
com o seio, com o colo e as mamas maternas que propiciam um melhor
desenvolvimento neuro-psicomotor das crianças, significando a construção de um
vínculo íntimo e cúmplice entre mãe e filho com consequências positivas para a
família por toda a vida.
Nos primeiros meses, o melhor para o bebê é
ser cuidado pela mãe. Ela deve aproveitar os momentos da troca de fralda e do
banho para conversar com o bebê, cantar baixinho, massagear o corpo dele,
olhá-lo nos olhos.
Como saber se o vínculo entre mãe e bebê está
sendo estabelecido:
• Durante a
amamentação, o bebê procura o olhar da mãe e ela olha para ele.
• Quando o
bebê está chorando e a mãe o pega no colo, ele se acalma.
• Quando a
mãe está bem perto do bebê, ele tenta acompanhar, com os olhos, os movimentos
dela.
Os sentimentos de fascinação e de
encantamento nas situações de cumplicidade caracterizam a intensidade dessa
relação.
Relação com a liberação de Oxitocina ( '' o hormônio do amor''):
Esse hormônio produzido pelo hipotálamo tem relação com a liberação do leite materno e com sentimentos de apego e empatia.
Então é isso pessoal! Esperamos que a leitura seja proveitosa.
Até a próxima postagem!
Referências:
SAMPAIO, Marisa Amorim. Psicodinâmica interativa mãe-criança e desmame. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Recife-pe, v. 26, n. 4, p.613-621, out. 2010.
FREITAS, Cintia Helena Bulgarelli. Relação mãe-bebê logo após o parto e na amamentação: a identificação projetiva realista, pelos sentimentos e sensações do observador. Psicólogo Informação, São Paulo-sp, v. 10, n. 4, p.84-101, jan. 2006.
ótima postagem! Os hormônios que atuam em uma mulher grávida amenizam não só estress como também ajudam na formação de um elo entre mãe e filho, inclusive quando este ainda está dentro do útero! A ocitocina, por exemplo, também é a responsável pelo sentimento materno em animais. Estudos apontam que animais que não produzem ocitocina abandonam suas crias .
ResponderExcluirhttp://brasil.babycenter.com/a4300126/a-ci%C3%AAncia-explica-como-brota-seu-amor-pela-crian%C3%A7a
Olá pessoal. Nosso blog, como vocês sabem é repleto de assunto que se complementam aos seus. Então, temos algo a acrescentar sobre as vantagens “mecânicas” do bebê em relação a amamentação. Como vocês já disseram, ela contribui para a satisfação das necessidades básicas de sucção da criança durante seu primeiro ano de vida. Os movimentos de ordenha, durante o mamar, são realizados com a mesma musculatura da mastigação. A ordenha é a mastigação primeira, antes da maturidade neural desta função. São esses movimentos que exteriorizam a postura mandibular, estimulando seu crescimento, visto que no recém-nascido existe uma disto-relação entre a maxila e a mandíbula. Crianças não amamentadas apresentam os músculos mastigatórios hipotônicos. Os movimentos mandibulares, acrescentando, também estimulam os côndilos a tracionarem seus meniscos articulares e, com isso, a cavidade temporal começa a ser esculpida, seus ligamentos fortificados e toda a musculatura a ela relacionada passa a maturar de forma fisiológica, preparando toda a estrutura articular para a alimentação sólida.
ResponderExcluirSakae PPO, Costa MTZ, Vaz FAC. Cuidados perinatais humanizados e o aleitamento materno promovendo a redução da mortalidade infantil. Rev Saúde Pública, São Paulo, revisão e ensaio, 2000
Pesquisando um pouco pude constatar que alguns estudos indicam que a ocitocina também pode ser responsável por transformar experiências potencialmente estressantes em oportunidades para expressar amor e alegria. Para muitas mulheres, o parto é uma experiência incrivelmente estressante que poderia facilmente dar origem a distúrbios de estresse pós-traumático, mas a ocitocina parece desempenhar um papel em ajudar uma nova mãe a gerenciar ambas as respostas emocionais e fisiológicas a uma experiência menos estressante e impedir depressão pós-parto. A ocitocina também ajuda a reprimir as lembranças da dor do parto tornando mais provável que uma mulher vai passar por tudo de novo e ter mais filhos. Essa substância é às vezes chamada de "hormônio de ligação". Para a sobrevivência dos mamíferos é fundamental que a mãe comece a nutrir e passar para os seus filhos imediatamente após o nascimento e os estudos revelaram que a ocitocina parece ser responsável por essa reação. É claro que para muitos bebês humanos o estabelecimento de uma ligação tão imediatamente após o nascimento não é uma questão de sobrevivência, mas os efeitos da ocitocina no cérebro ainda desempenha um papel importante no estabelecimento comportamental materno e o vínculo entre mãe e bebê.
ResponderExcluirGRUPO M:
ResponderExcluirÉ importante destacar a questão da dimensão biológica, levando para o campo hormonal, que influencia nesse ponto da vinculação materna com o bebê. Observa-se um aumento significativo dos valores de ocitocina nos momentos finais da gravidez e, sobretudo, por ocasião do parto e da amamentação do bebê; sendo que este hormônio é responsável pelo aumento das contrações uterinas que desencadeiam o parto, assim como pela secreção de leite. Estimulados por verificações experimentais conduzidas sobre diversas espécies animais, que mostraram como o comportamento materno está na dependência do controle hormonal, assim como pela elevada similaridade nas hormônios relacionadas com a gravidez e parto entre essas espécies. Os hormônios maternos têm um importante papel (embora não exclusivo) na acuidade sensorial, na tranquilidade emocional e na procura de proximidade com o bebé. As mães que amamentam ao seio o bebê tendem a ser mais sensíveis para com ele, o que foi explicado pelo aumento nos valores de prolactina verificados em consequência desta mesma circunstância (Eibl-Eibesfeldt, 1989). Por sua vez, quando acontece que os lábios do bebê tocam os mamilos da mãe na primeira hora de vida, a mãe geralmente decide mantê-lo por mais tempo junto de si do que quando tal ação não se verifica. Vale ainda destacar a importância da Ocitocina, que exerce papel importante na vinculação materna, e sua liberação é estimulada pela amamentação ao seio, tendo um efeito tranquilizante sobre a mãe e que tende a aumentar o elo que tem com o bebê, efeito pelo qual a ocitocina foi chamada de ”hormônio do apego”.
Referência:
FIGUEIREDO, Bárbara. Vinculação materna: Contributo para a compreensão das dimensões envolvidas no processo inicial de vinculação da mãe ao bebê. Revista Internacional de Psicologia Clínica, 2003. v. 3, nº 3, p. 522-539.