quarta-feira, 29 de abril de 2015

Cuidando do aleitamento

FORMAS DE AMAMENTAÇÃO

            Olá pessoal, nas postagens anteriores falamos sobre a importância do leite materno e sua superioridade sobre o leite da vaca, hoje focaremos um pouco da arte do cuidar materno, e bioquímica por trás do que é ser uma mamãe.

A HISTÓRIA

A espécie humana é a única entre os mamíferos em que a amamentação, além de ser biologicamente determinada, é condicionada por fatores sociais, econômicos, culturais, étnicos/raciais, psicológicos e comportamentais. Em função disso, o aleitamento materno deixou de ser uma prática universal, gerando muitas vezes divergência entre a expectativa biológica da espécie e a cultura, o que incentivou outras formas de amamentação diversas à natural.

 Segundo diversas teorias baseadas em informações de primatas não humanos, principalmente gorilas e chimpanzés, que têm 98% da sua carga genética idêntica à do homem, o período natural de amamentação para a espécie humana seria de 2,5 a 7 anos. A OMS, endossada pelo Ministério da Saúde do Brasil, recomenda aleitamento materno por dois anos ou mais, sendo de forma exclusiva nos primeiros seis meses.

UM POUCO DE ANATOMIA...

A estrutura da mama inclui mamilo e aréola, tecido mamário, tecido conjuntivo de suporte e gordura, vasos sanguíneos e linfáticos e nervos. O tecido mamário é formado por alvéolos, onde o leite é secretado, e ductos, queconduzem o leite ao exterior. A mama possui de 15 a 20 lobos mamários; cada lobo mamário é formado por 20 a40 lóbulos, contendo, cada um, 10 a 100 alvéolos.

Os alvéolos são a unidade secretora da mama, sendo formados por camada única de células epiteliais. Envolvendo os alvéolos estão as células mioepiteliais, que ao contraírem-se impulsionam o leite através dos ductos.
O mamilo possui, em média, nove poros por onde o leite sai da mama para o exterior. Ele é circundado pela aréola, área mais pigmentada, onde se encontram os tubérculos de Montgomery, formados por glândulas mamárias e sebáceas (glândulas areolares). Essas glândulas, que se hipertrofiam na gestação, secretam líquido oleoso que protege a pele do mamilo e da aréola durante a lactação e dão o cheiro que atrai o bebê à mama.
O tecido mamário desenvolve-se sob a ação de diferentes hormônios; o estrogênio é responsável pela ramificação dos ductos e o progestogênio pela formação dos lóbulos. A secreção láctea ocorre a partir da 16ªsemana de gravidez.
O mamilo possui, em média, nove poros por onde o leite sai da mama para o exterior. Ele é circundado pela aréola, área mais pigmentada, onde se encontram os tubérculos de Montgomery, formados por glândulas mamáriase sebáceas (glândulas areolares). Essas glândulas, que se hipertrofiam na gestação, secretam líquido oleoso queprotege a pele do mamilo e da aréola durante a lactação e dão o cheiro que atrai o bebê à mama. Cada mulher possui, em média, cerca de nove glândulas areolares (0 a 38) em cada aréola.
A ocitocina é o hormônio responsável pela ejeção do leite e é influenciada pelo estímulo de sucção e fatores emocionais maternos (autoconfiança, ansiedade), é produzido no hipotálamo e armazenado na neuro-hipófise. É um peptídeo formado por nove ácidos aminados. Na sua molécula pode-se observar a ligação dissulfeto resíduos de cisteína, além das inúmeras ligações peptídicas.A ocitocina é também muito conhecida como o hormônio da fidelidade. Já a prolactina  é um hormônio  secretado pela adeno-hipófise, formado por 198 aminoácidos, responsável por incitar a síntese de leite pelas glândulas mamárias e o aumento das mamas.

TÉCNICA DE AMAMENTAÇÃO

Apesar de a sucção do bebê ser um ato reflexo, ele precisa aprender a retirar o leite do peito de forma efi ciente. Quando o bebê pega a mama adequadamente – o que requer uma abertura ampla da boca, abocanhando não apenas o mamilo, mas também parte da aréola –, forma-se um lacre perfeito entre a boca e a mama, garantindo a formação do vácuo, indispensável para que o mamilo e a aréola se mantenham dentro da boca do bebê.

Pontos-chave do posicionamento adequado

1. Rosto do bebê de frente para a mama, com nariz na altura do mamilo;
 2. Corpo do bebê próximo ao da mãe;
3. Bebê com cabeça e tronco alinhados (pescoço não torcido);
 4. Bebê bem apoiado.

 Pontos-chave da pega adequada

1. Mais aréola visível acima da boca do bebê;
 2. Boca bem aberta;
3. Lábio inferior virado para fora;
4. Queixo tocando a mama.




Uma posição inadequada da mãe e/ou do bebê na amamentação dificulta o posicionamento correto da boca do bebê em relação ao mamilo e à aréola, resultando no que se denomina de “má pega”. A má pega dificulta o esvaziamento da mama, levando a uma diminuição da produção do leite. Muitas vezes, o bebê com pega inadequada não ganha o peso esperado apesar de permanecer longo tempo no peito. Isso ocorre porque, nessa situação, ele é capaz de obter o leite anterior, mas tem dificuldade de retirar o leite posterior, mais calórico e, rico em lipídios e proteínas.

Por hoje é só pessoal!!

 Esperamos vocês na próxima postagem sobre patologias associadas ao aleitemento.

Até mais!!

REFERÊNCIAS

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: nutrição infantil: aleitamento materno e alimentação complementar / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2009.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Cartilha para a mãe trabalhadora que amamenta. Brasília: Ministério da Saúde, 2010. Cartilha elaborada pelo Ministério da Saúde contendo informações valiosas para a mulher trabalhadora.


quarta-feira, 22 de abril de 2015

A bioquímica por trás do leite da vaca e seu uso para lactentes

IMPORTÂNCIA DO ALEITAMENTO

Estima-se que o aleitamento materno poderia evitar 13% das mortes em crianças menores de 5 anos em todo o mundo, por causas preveníveis. Nenhuma outra estratégia isolada alcança o impacto que a amamentação tem na redução das mortes de crianças menores de 5 anos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Unicef, em torno de seis milhões de vidas de crianças estão sendo salvas a cada ano por causa do aumento das taxas de amamentação exclusiva.

Estudos revelam que até os seis primeiros meses de idade, o leite materno supre as necessidades de ferro das crianças nascidas a termo. A partir daí, torna-se necessária a ingestão de uma alimentação complementar rica em ferro. Considerando a importância da dieta na determinação da anemia e o alto consumo de leite de vaca na infância, procuramos nesta postagem a verificar a influência do leite de vaca na amamentação à luz do conhecimento bioquímico.
           

HUMANO VERSUS  VACA

As duas proteínas mais encontradas no leite são a caseína e as proteínas do soro. No leite de vaca, a caseína constitui cerca de 80% das proteínas totais, enquanto no leite humano predominam as proteínas do soro, na propor ção de 60-70%, cuja digestão é mais fácil em relação à caseína, que exige maior secreção de ácido clorídrico para adequar o pH do estômago e permitir sua digestão pela pepsina. A lactose é o principal açúcar presente no leite (humano e de vaca) e nas fórmulas infantis, e suas funções são: fornecer energia, promover a absorção do cálcio e desenvolver a flora microbiana intestinal adequada.

Existem diferenças significativas, quanto aos lipídios, na composição de ácidos graxos: no leite de vaca, predominam os ácidos graxos saturados e, no leite humano, predominam os insaturados. Quanto maior o tamanho da cadeia e mais saturado é o ácido graxo, menor é a sua absorção. O leite de vaca é pobre em ácido linoléico e vitamina E, além de conter quantidades excessivas de sódio, potássio e proteínas.

Tanto o leite de vaca como o leite materno são pobres em ferro (cerca de 0,2-0,5 mg de ferro por litro), embora o ferro do leite materno esteja ligado à lactoferrina e apresente maior biodisponibilidade. O leite de vaca também apresenta baixo conteúdo de vitamina C, considerado um fator estimulador da absorção de ferro, e alto teor de cálcio e fósforo, fatores inibidores da absorção de ferro. O leite materno maduro contém, em média, 40±10 mg/l de vitamina C18 e apresenta a vantagem de não necessitar de manipulação ou aquecimento, que favorecem as perdas desse nutriente.

OPINIÃO PROFISSIONAL






COMPLICAÇÕES

Entre as manifestações clínicas mais comuns, encontram-se as gastrintestinais, respiratórias, cutâneas e anafiláticas. Além disso, como o leite de vaca é o alimento mais freqüente da dieta na fase de desmame e utilizado comumente em detrimento de outros alimentos fonte de ferro, substituindo ou complementando uma refeição salgada, pode favorecer o desenvolvimento da anemia ferropriva.

A manifestação mais característica da deficiência de ferro é a anemia ferropriva microcítica. Entretanto, as deficiências subclínicas de ferro, por causarem desordens no metabolismo oxidativo, podem determinar prejuízos à
saúde em todos os estágios da vida, estando associadas a alterações no desempenho oxidativo, função muscular, atividade física, produtividade no trabalho ou na escola, acuidade mental e capacidade de concentração. Além disso, pode haver alterações na termogênese, na pele, nas unhas e mucosas, bem como diminuição na resposta imunológica, que, por sua vez, aumenta a morbidade por doenças infecciosas.

 FERRO NO LEITE

O baixo conteúdo de ferro e a sua baixa biodisponibilidade, e do fato de ser utilizado em detrimento de outros alimentos ricos nesse nutriente, o leite de vaca pode ocasionar o sangramento gastrintestinal oculto, mais um efeito negativo ao estado nutricional de ferro em lactentes.

No leite de vaca, podem ser encontradas pelo menos 20 proteínas que podem funcionar como alérgenos, sendo a ß- lactoglobulina e a caseína as  principais.

As funções desenvolvidas pelo ferro no organismo encontra-se associado a duas categorias de componentes: aqueles que têm função metabólica ou enzimática (componentes funcionais) e aqueles associados ao armazenamento. Os componentes funcionais são a hemoglobina e a mioglobina, em menor quantidade nos tecidos corporais, e várias outras proteínas que atuam no transporte, armazenamento e utilização do oxigênio.

ferro também participa de uma variedade de processos bioquímicos, incluindo o transporte de elétrons na mitocôndria, metabolismo das catecolaminas e síntese de DNA. A maior parte do ferro está presente na hemoglobina (70-80%), uma cromoproteína que tem como grupo prostético o radical heme, presente nos eritrócitos.

ENTÃO... 

Assim, retardar a introdução de outros alimentos na dieta da criança pode prevenir o aparecimento de alergias, principalmente naquelas com histórico familiar positivo para essas doenças. A exposição a pequenas doses de leite de vaca nos primeiros dias de vida parece aumentar o risco de alergia ao leite de vaca. Por isso é importante evitar o uso desnecessário de fórmulas lácteas nas maternidades.  A composição do leite de vaca difere do leite humano, uma vez que o primeiro oferece quantidades excessivas de proteínas e minerais, interferindo na absorção do ferro. Isso justifica a recomendação de que o leite e seus derivados não sejam consumidos junto a outros alimentos fontes de ferro.

O consumo de leite de vaca, dessa forma, deve ser realizado com moderação, pois o que está em jogo é a saúde de nossos filhos.


REFERÊNCIAS
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: nutrição infantil: aleitamento materno e alimentação complementar / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2009.

Oliveira MA, Osório MM. Consumo de leite de vaca e anemia ferropriva na infância. J Pediatria. Rio Janeiro. 2005.




Esperamos ter contribuído para o esclarecimento de algumas dúvidas, em nossa próxima postagem abordaremos as formas de realizar o aleitamento materno.

Até a próxima!

terça-feira, 14 de abril de 2015

Fórmulas Infantis

Boa noite, pessoal !
O post de hoje, como explicamos no passado, vai ser um geralzão sobre as famosas fórmulas infantis, vamos falar sobre a composição e dar algumas dicas para um preparo mais seguro e eficaz.
Um fórmula infantil é, em teoria, um produto baseado no leite mamífero, principalmente o de vaca, modificado, tornando-o mais similar as necessidades do recém-nascido. Existem várias fórmulas que se adaptam as diversas fases do desenvolvimento infantil: de partida, de seguimento, destinadas a necessidades dietoterápicas específicas, anti-regurgitamento, para prematuros, derivadas da soja, sem lactose, hidrolisados proteicos.

O trecho abaixo foi retirado do portal Anvisa e fala um pouco sobre a legislação das fórmulas infantis :
''Com a publicação das Resoluções RDC n. 43, 44 e 45 de 2011, a Portaria SVS/MS n. 977/1998 (Regulamento Técnico referente às fórmulas infantis para lactentes e às fórmulas infantis de seguimento) foi revogada. Dessa forma, as fórmulas infantis são atualmente regulamentadas pelas seguintes Resoluções: I) Resolução RDC n. 43/2011- Regulamento Técnico para fórmulas infantis para lactentes: De acordo com o inciso I do artigo 6º desta Resolução, fórmula infantil para lactentes é o produto, em forma líquida ou em pó, utilizado sob prescrição, especialmente fabricado para satisfazer, por si só, as necessidades nutricionais dos lactentes sadios durante os primeiros seis meses de vida (5 meses e 29 dias); II) Resolução RDC n. 44/2011- Regulamento Técnico para fórmulas infantis de seguimento para lactentes e crianças de primeira infância: De acordo com o inciso I do artigo 6º desta Resolução, fórmula infantil de seguimento para lactentes e crianças de primeira infância é o produto, em forma líquida ou em pó, utilizado quando indicado, para lactentes sadios a partir do sexto mês de vida até doze meses de idade incompletos (11 meses e 29 dias) e para crianças de primeira infância sadias (crianças de doze meses até três anos de idade, ou seja, até os 36 meses), constituindo-se o principal elemento líquido de uma dieta progressivamente diversificada. III) Resolução RDC n. 45/2011- Regulamento Técnico para fórmulas infantis para lactentes destinadas a necessidades dietoterápicas específicas e fórmulas infantis de seguimento para lactentes e crianças de primeira infância destinadas a necessidades dietoterápicas específicas. De acordo com o inciso I do artigo 6º desta Resolução, fórmula infantil para lactentes destinada a necessidades dietoterápicas específicas é aquela cuja composição foi alterada ou especialmente formulada para atender, por si só, às necessidades específicas decorrentes de alterações fisiológicas e/ou doenças temporárias ou permanentes e/ou para a redução de risco de alergias em indivíduos predispostos de lactentes até o sexto mês de vida (5 meses e 29 dias). Além disso, conforme estabelece o inciso II do artigo 6º desta Resolução, fórmula infantil de seguimento para lactentes e crianças de primeira infância destinada a necessidades dietoterápicas específicas é aquela cuja composição foi alterada ou especialmente formulada para atender às necessidades específicas decorrentes de alterações fisiológicas e/ou doenças temporárias ou permanentes e/ou para a redução de risco de alergias em indivíduos predispostos de lactentes a partir do sexto mês de vida até doze meses de idade incompletos (11 meses e 29 dias) e de crianças de primeira infância, constituindose o principal elemento líquido de uma dieta progressivamente diversificada. Vale ressaltar que o processo de revisão da Portaria SVS/MS n. 977/1998 também culminou com a publicação de regulamentos sobre compostos de nutrientes e aditivos alimentares para uso nesses alimentos, conforme descrito a seguir: I) Resolução RDC n. 42/2011 – Regulamento Técnico de compostos de nutrientes para alimentos destinados a lactentes e a crianças de primeira infância: Este regulamento estabelece a lista de compostos de nutrientes que podem ser usados em alimentos para fins especiais destinados a lactentes e a crianças de primeira infância, incluindo as fórmulas infantis. II) Resolução RDC n. 46/2011 – Regulamento Técnico de aditivos alimentares e coadjuvantes de tecnologia para fórmulas infantis destinadas a lactentes e crianças de primeira infância: Este regulamento se aplica às fórmulas infantis para lactentes, às fórmulas infantis de seguimento para lactentes e crianças de primeira infância, às fórmulas infantis para lactentes destinadas a necessidades dietoterápicas específicas, às fórmulas infantis de seguimento para lactentes e crianças de primeira 6 infância destinadas a necessidades dietoterápicas específicas e aos alimentos similares especialmente formulados para lactentes e crianças de primeira infância comercializados no país. Destaca-se ainda que a comercialização e as práticas correlatas de alimentos para lactentes e crianças de primeira infância, incluindo as fórmulas infantis, estão regulamentadas pela Lei n. 11.265/2006. '' Acesso em: 11/04/2015

A tabela a seguir, retirada da produção ''Fórmulas infantis para alimentação recém-nascidos'', mostra a composição nutricional da fórmula (leite) de partida e de seguimento:


Leite de Partida
Leite de Seguimento
Leite de Seguimento
NUTRIENTE
Unidade de Medida
Mínimo
Máximo
Mínimo
Máximo
Valor Energético em 100mL
kcal
60
70
60
70
Carboidratos
g
9,0
14,0
9,0
14,0
Lactose
g
4,5
-
4,5
*
Proteína do leite de vaca hidrolisadas e não hidrolisadas

g
1,8
3,0
1,8
3,5
Proteínas isoladas de soja
g
2,25
3,0
2,25
3,5
Mistura de leite de vaca e de soja
g
2,25
3,0
2,25
3,5
Gorduras totais
g
4,4
6,0
4
6
Ácido Linoléico
mg
300
1400
300
1400
Ácido α-linolênico
mg
50
-
50
-
Sódio
mg
20
60
20
60
Cálcio **
mg
50
-
50
-
Ferro
mg
0,45
1,3
0,9
2,0
Potássio
mg
60
180
60
180
Cloreto
mg
50
160
50
160
Fósforo
mg
25
-
25
-
Magnésio
mg
5
-
5
-
Iodo
μg
10
-
10
-
Cobre
μg
35
-
35
-
Zinco
mg
0,5
-
0,5
-
Selênio
μg
1
-
1
-
Manganês
μg
1
-
1
-
VitaminaA***
μg RE
60
180
60
180
Vitamina D3
μg
1
2,5
1
3
Vitamina E
mg α-TE
0,5
-
0,5
-
Vitamina K
μg
4
-
4
-
Vitamina C
mg
10
-
10
-
Niacina
μg
300
-
300
-
Vitamina B6
μg
35
-
35
-
Ácido Fólico
μg
10
-
10
-
Ácido Pantotênico
μg
400
-
400
-
Vitamina B12
μg
0,1
-
0,1
-
Biotina
μg
1,5
-
1,5
-
Colina
mg
7
-
7
-
Taurina
mg
-
12
-
12
L-Carnitina
mg
1,2
-
-
-

Fonte: Resolução 43 e 44 de 19 de Setembro de 2011.

É importante lembrar que o modo de preparo das fórmulas é bem específico para se obter um melhor resultado.
As Resoluções RDC n. 43, 44 e 45 de 2011 preveem a declaração, no rótulo de fórmulas infantis, de instrução clara de que o produto deve ser preparado com água fervida e posteriormente resfriada a temperatura não inferior a 70°C, para produtos que necessitam de reconstituição. (ANVISA)
O ideal seria que a diluição se desse a uma temperatura de 70°C. Nessa temperatura o risco de contaminação microbiológica (E. sakazakii e Salmonella) é reduzido. Essa temperatura também reduz o impacto da resconstituição a alta temperatura na perda de nutrientes termo-sensíveis, no risco de queimaduras nos lactentes e nas pessoas que preparam as fórmulas, na ativação dos esporos de B. cereus ou de outras bactérias e na formação de grumos. (Professores Osmar, Juliana e Tatiane foram contemplados nessa postagem hahaha)
O documento da FAO/WHO de 2007 (Safe preparation, storage and handling of powdered infant formula – Guidelines, 2007) ressalta que quando não estiver disponível um líquido estéril, preparar as fórmulas infantis com água em temperatura não inferior a 70ºC reduz dramaticamente o risco, mesmo quando o tempo para o consumo da fórmula é demorado, em climas quentes e onde a refrigeração para a fórmula preparada não está facilmente disponível. No entanto, recomenda-se que as fórmulas não sejam mantidas em temperatura ambiente por mais de duas horas, mesmo quando a diluição ocorre em temperatura não inferior a 70ºC, tendo em vista a possibilidade de contaminação tanto no preparo quanto durante a alimentação. (ANVISA)

É válido lembrar que na grande maioria das vezes a fórmula não substitui o aleitamento materno, que é a melhor fonte nutricional nos primeiros meses de vida. Ela deve ser usada apenas quando realmente for necessária, com indicação de médicos ou nutricionistas, e sempre seguindo a idade indicada na embalagem. O acompanhamento médico é essencial, não negligencie.


Essa foi a postagem da semana, esperamos que tenham gostado. 
No próximo post falaremos sobre o leite de vaca no aleitamento.
Até a próxima !

obs: E só pra garantir que todos entenderam, se o aleitamento materno for possível, devemos substituir-lo por fórmulas ? Nan. (só os fortes entenderão)

Referência:

Perguntas e Respostas sobre Fórmulas Infantis Gerência de Produtos Especiais Gerência Geral de Alimentos - Agência Nacional de Vigilância Sanitária 
(http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/1b72ce0043163045ac68bde6ad24d25c/Perguntas+e+Respostas+sobre+F%C3%B3rmulas+Infantis_3a+vers%C3%A3o_fev+2014.pdf?MOD=AJPERES)

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Composição do leite materno

Neste blog serão feitas postagens por um grupo de estudantes do segundo período de Medicina da Universidade Federal do Piauí, campus Parnaíba sobre o tema ''Desenvolvimento do bebê: aleitamento materno ou fórmulas ?''. Tentaremos esclarecer algumas dúvidas sobre o tema sempre dando uma visão bioquímica. Esperamos que o blog seja útil e sirva de aprendizado para muitos de vocês leitores.
Este primeiro post será uma visão geral sobre o leite materno. E no próximo falaremos sobre as fórmulas infantis. Essas duas primeiras postagens servirão como base para um melhor entendimento bioquímico do leite e da fórmula.
                                                                              benvenutri.blogspot.com
Do início ao fim da amamentação a composição de leito materno é variável, visando sempre suprir as necessidades do bebê, que mudam com o seu desenvolvimento. É válido lembrar que a composição varia também de acordo com a nutrição da mãe.
A primeira produção de leite no pós-parto é conhecida como colostro. Um líquido de densidade variável e coloração amarela, devido ao elevado teor de beta caroteno. É mais viscoso que o leite maduro, possuindo maiores concentrações de proteínas, minerais e vitaminas lipossolúveis, assim como menores teores de lactose, gorduras e vitaminas do complexo B. Possui menor valor calórico e contém resíduos de materias celulares presentes na glândula mamaria e dutos por ocasião do parto.
O leite humano maduro fornece, em média, 1,2 g de proteína para cada 100 ml. Entretanto uma boa parte dessa quantidade não chega a ser absorvida e pode aparecer intacta nas fezes do lactente. Ao final apenas 0,7 g/dl estariam disponíveis nutricionalmente. Entre as muitas razões para essa perda podemos citar a grande estabilidade de algumas proteínas, como IgA secretoria, a lactoferrina e lisozima, em meio ácido e sua razoável resistência à ação de enzimas proteolíticas.
As gorduras constituem a maior fonte de energia do leite humano. Seu conteúdo no leite maduro varia entre 3 e 4g/dl, correspondendo a aproximadamente 40 a 50% do total calórico.
Os lipídeos do leite são facilmente digeríveis por diversos fatores, tais como composição a de ácidos graxos, comprimento de suas cadeias, especificidade da estrutura dos triglicérides e atividades enzimáticas complementares. Os principais ácidos graxos existentes no leite humano restringem-se àqueles com cadeias de 12 a 18 carbonos.
Os principais carboidratos encontrados, em ordem decrescente de concentração, são: lactose, glicose, galactose, oligossacarídeos e glicoproteínas. A lactose possui atividade anti-infecciosa (auxilia de forma indireta na redução do pH intestinal, tornando-o impróprio ao crescimento de bactérias patogênicas), e parece auxiliar a absorção de cálcio e fósforo na luz intestinal, entre muitas outras funções.
No quadro abaixo, retirado da produção ''Composição nutricional do colostro de mães de recém nascidos de termo adequados e pequenos para a idade gestacional. II - Composição nutricional do leite humano nos diversos estágios da lactação. Vantagens em relação ao leite de vaca* '', podemos ver a concentração de diferentes substâncias do leite em diferentes momentos e ainda compará-los com o leite de vaca (posteriormente teremos um post sobre ele).

As principais vitaminas e suas respectivas concentrações podem ser encontradas no quadro acima.

Este foi post de hoje, esperamos que tenha sido claro e útil para todos. Até a próxima postagem, que como já foi dito será sobre as fórmulas infantis. 


Referência: LAURINDO, Valdenise Martins et al. Composição nutricional do colostro de mães de recémnascidos de termo adequados e pequenos para a idade gestacional. II - Composição nutricional do leite humano nos diversos estágios da lactação. Vantagens em relação ao leite de vaca*. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE INFECTOLOGIA PEDIÁTRICA, 8., 1992, Salvador.